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Mostrando postagens de março, 2016

Ofício

. Já bem cedo bato meu ponto cotidiano de fazer poemas minha dor é material de consumo,  entretenimento para as massas. Esse é meu trabalho invisível sem importância. Meu trabalho para sustentar futilidades humanas. Meu trabalho de provocar o que não sentes, mas gostarias de sentir. Meu trabalho escravo, minha pele é escura tal qual meu coração, sou imigrante, sou forasteiro. Por isso minhas lágrimas são mais fortes que minha esperança Negras lágrimas que vem do desrespeito, do abandono, do preconceito E não se importas se o chão que pisas sou eu Meu povo não tem pão  Mas terá circo... poesia .

Fiasco

As marquises onde me abandonaste no dia que fostes embora não me protegerão da artilharia pesada todos nessa cidade estão armados de violência até os dentes. Não há como se esconder na cidade grande Da dureza de uma vida seca não há como fugir O sertão dos Gerais está em toda parte O sertão é sem lugar, é dentro, e é do tamanho do mundo The drough is coming! Eu também  fui exilado eu também não dei certo não me trouxeram para perto eu também não fiz sucesso eu não sou especial sempre estive incerto Eu também sou um refugiado, eu também fui abandonado, eu também vim do norte, eu também sou negro sou órfão e viúva sou favelado sou pobre, porém não sou pequeno, carrego meu infinito, profundo e denso, múltiplo Sou apenas ignorado mas não pobre coitado.

O melhor de nós

. O melhor de nós está oculto? O melhor de nós precisa mesmo ser procurado? O melhor de nós não está na superfície, nem mesmo no raso? Mas está mesmo é no profundo, o melhor de nós? Como eu poderia reconhecer? Em um dia comum, reparando um pouco, não dá para ver? Então como saberei que existe o melhor de nós? .