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Diário de bordo 01

Hoje de manhã eu estava exausto, não quis levantar, chega um ponto em que tudo cansa, tudo tem seu limite, é como se eu não quisesse acordar hoje. Ou nem acordar mais. Depois de uma semana tão corrida meu cansaço acumulado não me deixava levantar. Um turbilhão de coisas em volta, para serem resolvidas, um milhão de responsabilidades, meses a fio de trabalho interminável e sem tempo para nada, sem tempo para tudo. Eu não queria acordar para isso... eu queria achar um abrigo dentro de mim onde eu pudesse ficar imóvel. Não levantei cedo, meu amor queria sexo, se arrumou pra mim, vestiu lingerie, mas eu estava exausto e procurava ainda aquele lugar de paz dentro de mim. Eu queria dormir. Entendo o quanto isso é frustrante para uma mulher, mas nem percebi quando ela saiu e deixou a porta destrancada. 
E eu fechado...
olhos fechados, encolhido na cama, debaixo do peso do mundo. Eu era um Atlas ferido. Não fui ao trabalho, levantei-me às 2 da tarde, fui ao chuveiro, queria me lavar do peso. Peso que carrego sem resignação, mas que pesa dentro. Quis chorar no chuveiro, reclamei com Deus contra aqueles que me oprimem, e uma resposta Dele. Ignorei de propósito as chamadas de meu superior no celular... só saí de casa pra tomar banho de chuva... agora vou dormir mais... minha vida é um liquidificador alucinado. Mas puxei o fio da tomada.
E a verdade é que nem me importo mais...

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